Caso Mãe Bernadete: Réu alega tortura e nega que líder de facção tenha ordenado crime

Caso Mãe Bernadete: júri acontece no fórum Ruy Barbosa Crédito: Reprodução

O primeiro dia do julgamento dos acusados de assassinar a ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete foi marcado por uma mudança radical no depoimento de um dos réus. Em plenário, no Fórum Ruy Barbosa, Arielson da Conceição dos Santos, o “Buzuim”, afirmou ter sido torturado por policiais para apontar Marílio dos Santos, o “Maquinista”, como o mandante do homicídio.

Réu confesso, Arielson declarou aos jurados que sua confissão inicial foi feita sob pressão física e psicológica. “Disse o que eles queriam ouvir”, afirmou durante o interrogatório. Ele agora nega que o crime tenha sido ordenado por “Maquinista”, apontado pelo Ministério Público (MP-BA) como liderança da facção Bonde do Maluco (BDM).

Além de mudar a versão sobre o mandante, o réu apresentou uma justificativa para a brutalidade do crime:

  • “Susto”: Arielson alegou que o plano original era apenas “dar um susto” na líder quilombola.
  • Autoria dos disparos: Ele atribuiu a execução — com 25 tiros — a um traficante conhecido como “BZ”, que terá um julgamento separado.

Para o Ministério Público e os advogados da família de Mãe Bernadete, a nova narrativa não passa de uma tática de defesa para proteger o mentor intelectual do grupo criminoso.

O promotor Raimundo Moinhos, do Gaeco, rebateu a tese de tortura, afirmando que em nenhum momento da instrução processual houve qualquer indício de irregularidade na conduta do Estado. “Isso nos mostra uma defesa conveniente, baseada em tentar contraditar uma prova que é irrefutável”, pontuou.

Hédio Silva, advogado da família da vítima, reforçou a confiança na condenação:

“Vejo isso como uma atitude desesperada da defesa e estou convencido de que o Conselho de Sentença irá julgar pela pena máxima.”

Mãe Bernadete foi executada em agosto de 2023, dentro de sua casa, no Quilombo Pitanga dos Palmares. O crime teve repercussão internacional, expondo a vulnerabilidade de lideranças tradicionais frente ao avanço de facções criminosas e disputas territoriais na Bahia. Fonte: Correio 24hrs

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