Trabalhadores vivem expectativa por breve votação do fim da escala 6×1; empresariado adota cautela – Foto: Alessandro Dantas | Agência Senado
Uma pesquisa inédita realizada pelo instituto AtlasIntel, em parceria com o portal A TARDE, revelou que a população e o setor produtivo compartilham de forte cautela em relação ao fim da escala de trabalho 6×1. De acordo com o levantamento, 53% dos entrevistados defendem que o Congresso Nacional só aprove mudanças após a realização de um estudo aprofundado de impacto econômico.
Líderes de grandes setores comerciais da Bahia endossaram os dados e alertaram para os riscos reais de uma aprovação precipitada da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita em Brasília.
O bolso do consumidor: o repasse de custos
Para Ademar Pinheiro Lemos, presidente do Sindicato das Empresas de Refeições Coletivas da Bahia (Sinderc-BA), a mudança na jornada sem redução de salário gerará um efeito cascata imediato na inflação.
O executivo estima um aumento direto entre 18% e 23% nos custos de mão de obra, que fatalmente será repassado ao consumidor final.
“Os nossos fornecedores vão ter que embutir esse aumento de custos e repassar para nós, e nós vamos passar para nossos clientes. E esses clientes vão passar para a população. Alguém vai ter que pagar essa conta, e a maior parte será das pessoas de menor renda”, explica Lemos.
A percepção de que a corda vai estourar no lado mais fraco é confirmada por 53,3% dos entrevistados da pesquisa, que apontam as pequenas e médias empresas como as principais prejudicadas. Lemos corrobora o dado, lembrando que as grandes corporações têm estrutura para absorver impactos, enquanto os pequenos comércios, que hoje mais empregam, não possuem essa capilaridade.
Ameaça ao funcionamento do comércio
O presidente do Sindicato dos Lojistas do Estado da Bahia (Sindilojas-BA), Paulo Motta, destaca que o cenário econômico atual — marcado por juros altos, carga tributária pesada e forte inadimplência — não comporta uma transformação tão drástica.
Risco de demissões: A capacidade de manutenção de empregos formais fica seriamente comprometida.
Comércio travado: O funcionamento regular de lojas, shoppings e supermercados aos domingos e feriados ficará inviabilizado.
Os empresários criticam a velocidade com que o tema avança na Câmara dos Deputados, atribuindo a pressões políticas por conta do calendário eleitoral.
Motta relatou o desabafo de um parlamentar federal que resume o impasse: “Se eu voltar ao meu município e disser que votei contra o trabalhador, eu perco as eleições. É puramente eleitoreiro, mas todo o segmento produtivo do país está profundamente preocupado”.
Amostragem: 1.560 pessoas entrevistadas via Recrutamento Digital Aleatório (RDR), entre os dias 22 e 25 de maio.
Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Nível de confiança: 95%.
Fonte: A Tarde


