Audiência aconteceu nesta segunda-feia, 25 – Foto: Reprodução
A nova audiência de instrução sobre o desaparecimento do jovem Davi Fiúza, realizada nesta segunda-feira (25) no Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, em Salvador, terminou sem uma decisão imediata. O caso, que já dura mais de uma década, aguarda agora os prazos finais para que o juiz defina o destino dos acusados.
O historiador e cofundador da Iniciativa Negra, Dudu Ribeiro, que acompanha o processo ao lado da Anistia Internacional Brasil, detalhou os próximos passos jurídicos após o encerramento desta etapa:
Silêncio dos acusados: A fase de instrução foi encerrada com a oitiva das partes, mas a defesa dos policiais acusados optou por não prestar depoimento em juízo, embora todos estivessem presentes.
Manifestações por escrito: As partes terão um prazo de cinco dias para apresentar suas manifestações por escrito — período no qual também será incluída uma manifestação da mãe da vítima, Rute Fiúza. A acusação terá o mesmo prazo para se manifestar em seguida.
Alegações finais: Logo após, corre um prazo de 20 dias para as alegações finais de ambos os lados, deixando o processo pronto para a decisão do magistrado.
“Esperamos que a decisão do juiz seja de pronunciar os réus e levarmos o caso a júri popular”, afirmou Dudu Ribeiro.
Durante uma coletiva de imprensa no fórum, Rute Fiúza expressou a angústia da espera e o receio da impunidade, reforçando a robustez das provas anexadas ao processo.
“Meu clamor é por júri popular. Até agora nós não sabemos o que o juiz vai fazer, se ele manda a júri popular ou se ele arquiva. Tudo é uma possibilidade quando se trata da justiça desse país. Eu só espero que não seja arquivado, porque tem provas robustas de todo o fato. Não é invenção da cabeça de ninguém”, desabafou Rute.
Davi Fiúza desapareceu no dia 24 de outubro de 2014, aos 16 anos, durante uma abordagem policial realizada por equipes do Pelotão de Emprego Tático Operacional (PETO) e da Rondesp, no bairro de São Cristóvão, na capital baiana.
Segundo as investigações e relatos de testemunhas, o adolescente conversava com uma vizinha quando foi abordado de forma violenta. Ele teve as mãos e os pés amarrados e foi colocado no porta-malas de um carro descaracterizado. Desde aquele dia, o paradeiro do jovem nunca foi descoberto, apesar das buscas incessantes de sua mãe em delegacias, no Instituto Médico Legal (IML) e em áreas de descarte de corpos. Fonte: A Tarde


