Reprodução e Leitor BNEWS
Quase três meses após o surgimento de manchas nas cores azul e amarelo na orla de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, o desastre ambiental segue sem uma resposta definitiva. Enquanto as investigações — agora sob a condução da Polícia Federal (PF) — não apontam um culpado, cerca de 800 famílias de pescadores, marisqueiras e barraqueiros enfrentam prejuízos crescentes devido à interdição de trechos da praia.
O caso, que começou como um desastre ecológico, transformou-se em uma complexa disputa de responsabilidade entre gigantes do setor industrial e portuário.
A disputa pelo Terminal Itapuã
Inicialmente, os moradores locais apontaram os olhos para o Terminal Itapuã, que hoje opera com o transporte de fertilizantes. Análises preliminares indicaram a presença de substâncias como o cobre (que justificaria a cor azulada), elemento manipulado no local em operações de anos anteriores. É justamente aí que começa o impasse:
A posição da Gerdau: Antiga operadora e ainda proprietária da estrutura física do terminal, a Gerdau afirma que nenhuma análise técnica foi conclusiva. A empresa refuta a tese de “passivo ambiental histórico” e destaca que vendeu o terminal em 2022 para a empresa Intermarítima, transferindo legalmente a licença ambiental.
Indício de contaminação recente: A Gerdau também argumenta que os laudos apontaram a presença de Nitrogênio Amoniacal na água. Segundo a companhia, este composto está associado a “fontes recentes de poluição”, o que indicaria que o problema ocorreu bem após a saída da empresa da operação do porto.
A siderúrgica reforça que operou no local por mais de 30 anos e que nunca registrou um incidente dessa magnitude.
MP tenta acordo para indenizar moradores
Enquanto a culpa recai em um limbo jurídico, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) corre contra o tempo para tentar viabilizar um acordo de reparação financeira para a comunidade, que está impedida de trabalhar.
A Gerdau confirmou que apresentou uma contraproposta ao MP-BA no último dia 8 de maio. A empresa informou que topa contribuir financeiramente com o apoio à comunidade e com os custos da investigação, mas ressaltou que fará isso “por liberalidade”, sem assumir qualquer culpa ou responsabilidade civil pelo desastre em solo soteropolitano. Fonte: Bnews


