Tarifaço dos EUA atinge 245 produtos da Bahia; celulose solúvel produzida em Camaçari é o principal alvo

Celulose solúvel Crédito: Divulgação

Nova taxa de 25% aplicada pelo governo norte-americano afetará um terço das exportações baianas para o país. Fieb alerta para prejuízos em setores específicos, como o químico e o de pneus.

O novo pacote de sobretaxas anunciado pelo governo dos Estados Unidos vai atingir em cheio uma fatia importante da indústria baiana. A partir da decisão de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre as importações de produtos brasileiros, pelo menos 245 itens produzidos na Bahia serão encarecidos no mercado norte-americano.

A estimativa é da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), que aponta que o “tarifaço” vai incidir sobre US$ 273,1 milhões — o equivalente a 33,2% de tudo o que o estado exportou para os EUA no ano passado.

Embora o superintendente da Fieb, Vladson Menezes, pondere que o impacto geral na economia baiana seja pequeno (cerca de 0,3% do PIB do estado), a medida é altamente prejudicial para indústrias estratégicas e concentradas:

  • Celulose Solúvel: É a maior preocupação. Diferente da celulose comum (usada para papel, que ficou isenta), a versão solúvel tem alto valor agregado e abastece as indústrias têxtil, farmacêutica e de cosméticos. Produzida no Polo de Camaçari, ela movimentou US$ 96,2 milhões em exportações no ano passado e entrou na lista definitiva de taxação de última hora.
  • Pneumáticos e Plásticos: O setor de borracha, com destaque para a exportação de pneus, sofrerá forte impacto de competitividade.
  • Indústria Química: Alvo central das taxas, especialmente o segmento de petroquímicos básicos.
  • Frutas e Agronegócio: Itens como uvas frescas do Vale do São Francisco e sucos de frutas também serão taxados, embora o principal mercado desses produtos baianos continue sendo a Europa.

A nova barreira alfandegária tende a acelerar um processo de afastamento comercial que já dura duas décadas. Os EUA atualmente ocupam apenas a quarta posição entre os destinos das exportações da Bahia.

  • 2021: Os EUA compravam 35% de tudo o que a Bahia exportava.
  • 2025: Esse percentual despencou para apenas 7,1%.
  • 2026: A projeção pós-tarifaço é de nova queda, chegando a 6,1%.

A Fieb defende que a diplomacia brasileira e o governo federal entrem em campo com duas frentes de ação:

  1. Negociação Direta: Priorizar junto ao governo americano a reinclusão da celulose solúvel, dos pneus e dos produtos químicos na lista de itens isentos.
  2. Apoio Interno: Criar medidas de suporte doméstico para mitigar os prejuízos das empresas afetadas.

Sobre uma possível resposta do Brasil taxando produtos americanos de volta, a Fieb pede prudência. “Se você começa a aplicar tarifas da mesma maneira, há o risco de eles aumentarem ainda mais as taxas, prejudicando outros setores da economia”, alerta Vladson Menezes. Fonte: Correio 24hrs

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