Servidora investigada por fraude no IPTU de imóveis de luxo em Salvador nega fuga e explica viagem à Espanha

Reprodução-Divulgação / PC-BA

A defesa da consultora Maria Isabel Regueira Regueira, de 60 anos, negou que ela estivesse foragida após ser presa no último sábado (19), no Aeroporto Internacional de Salvador. Servidora da Sefaz Municipal, ela é apontada pela Polícia Civil como uma das líderes de um esquema de fraude no IPTU investigado pela Operação Valor Venal.

De acordo com as investigações, a suspeita atuava na captação de clientes, negociação com proprietários e na formalização de contratos para a revisão de impostos. Ela foi detida no momento em que desembarcava de um voo vindo da Espanha.

A versão da defesa

Em nota assinada pelos advogados Ivan Jezler Júnior e Ciro Brito, a defesa esclareceu que a viagem ocorreu em julho — antes do início da operação — com o objetivo de acompanhar a mãe, de mais de 80 anos, em tratamento contra o câncer.

Os defensores afirmam que, ao tomar conhecimento da operação, entraram em contato antecipado com a delegacia para informar a data de retorno e a disposição da cliente em colaborar. “Não houve tentativa de fuga. É importante que os fatos sejam esclarecidos para evitar interpretações equivocadas”, destacou o advogado Ivan Jezler, ressaltando que a investigada busca provar sua inocência.

Como funcionava a fraude

A Operação Valor Venal já resultou em cinco prisões (incluindo a de Maria Isabel, dois despachantes, outra consultora e uma ex-terceirizada responsável pelas alterações sistêmicas), além do afastamento judicial de quatro servidoras da Secretaria Municipal.

  • O esquema: Despachantes captavam donos de imóveis e terrenos de alto padrão interessados em pagar menos imposto. Os clientes eram repassados às consultoras, que gerenciavam contratos e ficavam com a maior fatia dos valores pagos.
  • O rombo: Entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026, cerca de 700 imóveis tiveram reduções de até 90% no valor venal.
  • Prejuízo milionário: A investigação aponta uma ocultação patrimonial superior a R$ 1,2 bilhão (diferença entre o valor real e o fraudado), resultando em uma perda de arrecadação de aproximadamente R$ 20 milhões para o município de Salvador.

Fonte: Bnews

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