Relatório secreto da Abin alerta para risco de ingerência dos EUA de Trump nas eleições brasileiras

O presidente dos EUA, Donald Trump – Foto: Molly Riley

Um relatório sigiloso elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou o nível de criticidade em relação aos riscos de interferência externa e pressões do governo de Donald Trump sobre o Brasil durante o período eleitoral. O documento foi encaminhado no final de agosto ao Palácio do Planalto e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo o material — obtido pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo —, a gestão republicana nos Estados Unidos colocou como prioridade de seu segundo mandato a reafirmação de sua influência geopolítica na América Latina, com foco na contenção de potências rivais, como a China, e na pressão sobre países estratégicos.

O Brasil no radar da Casa Branca

A Abin aponta que o Brasil ocupa uma posição central na mira de Washington devido à sua política externa marcada por um maior grau de autonomia. Essa postura teria colocado o país sob o foco de medidas de pressão nos campos diplomático, econômico e comercial.

O documento também destaca a articulação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) com integrantes do governo norte-americano como um fator que potencializou as tensões bilaterais. A partir de maio, as pressões teriam se intensificado, incluindo debates sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas — o que abriria caminho para sanções administrativas e comerciais.

O papel de Marco Rubio e a resposta do Planalto

O relatório da inteligência brasileira chama atenção para a postura do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Segundo a análise, Rubio tem conduzido a política externa regional com forte apelo ideológico e alinhamento aos interesses norte-americanos, tendo inclusive incluído o Brasil em sabatina no Senado dos EUA entre os países que resistem à liderança de Washington.

Diante das investidas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura de firme rejeição. Entre as demandas recusadas pelo Planalto esteve uma exigência de que o Brasil não limitasse a participação de “dissidentes políticos” nas urnas. O pedido foi classificado pelo governo brasileiro como “arquivo morto”, reforçando a defesa da soberania nacional em temas como recursos minerais e política externa. Fonte: A Tarde

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