Lula rebate pressão de Trump e propõe “frente global” contra o crime sem rotular facções como terroristas

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Em um encontro de três horas na Casa Branca nesta quinta-feira (07/05), o presidente Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, colocaram o combate ao crime organizado no centro da pauta. Apesar da pressão de Washington para que o Brasil classifique facções criminosas como grupos terroristas, Lula manteve a linha diplomática brasileira, focando em cooperação de inteligência e alternativas econômicas.

Ao sair da reunião, o petista foi enfático ao dizer que o combate ao narcotráfico não se faz apenas com força, mas com mercado. Para Lula, é preciso oferecer saídas financeiras para comunidades dependentes da produção de drogas.

“Como que você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa? Temos que incentivar o plantio de outras coisas e sermos os compradores para que as pessoas possam sobreviver”, afirmou o presidente.

Lula não evitou temas sensíveis. Em resposta às exigências americanas, ele lembrou que a responsabilidade pelo crime transnacional é compartilhada, apontando falhas no controle dos próprios Estados Unidos:

Armamento: Ressaltou que grande parte das armas que alimentam a violência no Brasil tem origem em solo americano.

Sistema Financeiro: Mencionou que a lavagem de dinheiro das facções muitas vezes utiliza instituições em estados dos EUA.

Em vez de adotar o rótulo de “terrorismo” — que poderia acarretar sanções e mudanças na jurisdição internacional —, Lula propôs a criação de um grupo de trabalho global. A ideia é integrar polícias e serviços de inteligência de toda a América Latina com as potências mundiais. “Podemos resolver em anos aquilo que não se resolveu em séculos se colocarmos a verdade na mesa”, completou.

Embora a reunião tenha sido longa, a expectativa de uma declaração conjunta foi frustrada. A entrevista coletiva prevista para ocorrer ao lado de Trump foi cancelada logo após o término da conversa, sinalizando que, apesar do diálogo, os dois líderes ainda buscam um terreno comum sobre como operacionalizar o combate às facções. Fonte: Bnews

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