Internações de crianças e adolescentes dobram na Bahia em cinco anos

Internações por transtornos mentais em crianças e adolescentes duplicam em cinco anos Crédito: Pexels

O que antes era visto como um problema predominantemente adulto, hoje acende um alerta vermelho na pediatria e na psicologia. Na Bahia, o número de internações por transtornos mentais e comportamentais na faixa de 0 a 19 anos saltou de 237 (em 2020) para 482 (em 2024) — um crescimento de 103%.

O índice é alarmante quando comparado à população geral, cujo aumento no mesmo período foi de 40,6%. Os dados, extraídos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, revelam uma “crise silenciosa” que ganha corpo no pós-pandemia.

Especialistas apontam que a exposição excessiva ao mundo digital é um dos principais gatilhos.

  • Impacto das Telas: Estudos da UFMG indicam um aumento de 72% nos casos de depressão infantil relacionados ao uso abusivo de redes sociais.
  • Diagnóstico Precoce: Crianças entre 6 e 11 anos estão apresentando quadros graves de apatia e desesperança, sintomas que antes eram raros nessa idade.

Embora ainda cercada de estigmas, a internação é um recurso terapêutico vital. Segundo a psicóloga Bianca Reis, ela é indicada quando:

  1. Há risco de vida para o paciente ou terceiros.
  2. A instabilidade impede a realização de tarefas básicas da rotina.
  3. O estado de apatia e isolamento não regride com terapias convencionais.

“A internação é estruturante para que o jovem possa retomar sua vida, oferecendo suporte profissional intensivo e acompanhamento familiar”, explica a psicóloga.

A prevenção começa em casa, observando mudanças sutis de comportamento:

  • Alterações biológicas: Mudanças bruscas no sono e no apetite.
  • Comportamento: Irritabilidade excessiva, baixo limiar de frustração ou isolamento de quem era extrovertido.
  • Comunicação: Falas de desesperança ou o silêncio prolongado.

O papel da Primeira Infância: O neurocirurgião André Ceballos reforça que o investimento emocional até os 6 anos é decisivo. Criar ambientes seguros, manter o diálogo aberto e estabelecer rotinas equilibradas entre lazer e descanso são as melhores vacinas contra transtornos futuros. Fonte: Correio 24hrs

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