Atacante Flaco López comemora gol pelo Palmeiras – Foto: Cesar Greco/Palmeiras
O cenário do futebol sul-americano e brasileiro vive um momento de intensa ebulição tática, marcado pelo domínio de estratégias flexíveis nos clubes e por persistentes questionamentos sobre a rigidez estrutural da Seleção Brasileira. Enquanto equipes como Palmeiras e Flamengo alternam esquemas com sucesso, a Amarelinha segue cobrada por inovação e por adaptação aos modelos modernos de meio-campo.
A plasticidade tática de Abel Ferreira e o momento dos gigantes
No topo do Brasileirão e forte candidato na Libertadores, o Palmeiras ilustra bem essa versatilidade. Contra o Fluminense, no Maracanã, Abel Ferreira montou um sistema defensivo robusto com linha de cinco defensores e quatro homens no meio, garantindo a vantagem do empate com uma vitória por 2 a 1. Já diante do Athletico-PR, a estratégia foi totalmente reformulada para um perfil ofensivo. O treinador português cria variações cirúrgicas a cada partida, adaptando-se perfeitamente ao contexto e ao adversário.
Enquanto isso, o Flamengo brilha em frentes simultâneas. No triunfo convincente por 3 a 0 sobre o Bahia, o destaque absoluto foi Jorginho. Com sua qualidade impecável na saída de bola — lembrando o estilo de volantes modernos como Rodri —, o atleta desperta o debate sobre uma eventual vaga na Seleção para suprir lacunas na primeira linha de volantes. Na mesma toada, o Atlético-MG se destaca na Sul-Americana, impulsionado pela boa fase de Reinier, que reencontrou seu melhor futebol atuando com muita técnica, mobilidade e chegada ao gol.
A ascensão de Matheus Pereira e a cobrança por criatividade
Outro ponto alto da rodada foi a vitória do Cruzeiro por 4 a 2 sobre o Grêmio. O técnico Arthur Jorge ajustou a equipe ao sacar um ponta e fortalecer o miolo de campo, dando a Matheus Pereira a liberdade ideal para atuar próximo a Kaio Jorge. O desempenho excepcional reacendeu os pedidos para que Carlo Ancelotti dê uma oportunidade a Matheus Pereira na Seleção, visto a carência de um meia ofensivo centralizado e criativo com suas características.
O abismo estrutural: Europa versus Brasil e Seleção
A discussão sobre a convocação de meias criativos esbarra, contudo, em um problema cultural e estrutural do futebol brasileiro. Na Europa, as grandes equipes operam com blocos compactos onde os três homens do meio-campo se revezam plenamente entre marcação, criação e infiltração.
Falta ao Brasil — e à própria Seleção — superar a divisão rígida e ultrapassada de funções:
- O camisa 5 isolado na contenção;
- O segundo volante (camisa 8) com saídas pontuais;
- O camisa 10 clássico, desobrigado de participar da fase defensiva.
Equipes do Velho Continente exemplificam o modelo ideal de trio de meio-campo. No Arsenal, a sintonia entre Rice, Bruno Guimarães e Ødegaard (este com perfil semelhante ao de Matheus Pereira) funciona perfeitamente. O mesmo nível de dinamismo é visto no Barcelona (com Rodri, Pedri e Olmo) e no Paris Saint-Germain (com Vitinha, João Neves e Richard Ríos).
Enquanto os clubes brasileiros evoluem na busca por soluções táticas modernas, a Seleção Brasileira continua engessada em engrenagens previsíveis, repetindo fórmulas que há tempos carecem de renovação e fluidez coletiva. Fonte: A Tarde


