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O CEO e fundador da Epic Games, Tim Sweeney, afirmou durante uma coletiva de imprensa virtual com jornalistas brasileiros que a Apple tem mobilizado lobistas em Washington para pressionar o governo de Donald Trump a agir contra o Brasil. Segundo a desenvolvedora do Fortnite, a movimentação da fabricante do iPhone surge em retaliação direta à decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que obrigou o ecossistema iOS a aceitar lojas de aplicativos e meios de pagamento concorrentes.
O executivo declarou que a empresa estadunidense estaria tentando desgastar as relações diplomáticas e comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos para preservar taxas e restrições na App Store consideradas anticoncorrenciais. O principal alvo apontado por Sweeney foi o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), cujos parceiros estariam enviando ameaças a nações que limitam o controle da companhia sobre a distribuição de softwares.
Uma tarifa de 25% sobre grande parte das importações brasileiras entrou em vigor em 22 de julho, imposta pelo governo norte-americano sob justificativas ligadas a serviços de pagamento e comércio digital. Contudo, a investigação oficial dos Estados Unidos também abrangeu temas como desmatamento ilegal, mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e tarifas preferenciais.
Dessa forma, os relatórios públicos do USTR confirmam a pressão econômica exercida sobre o país, mas não apontam formalmente a Apple como a única motivadora das barreiras tarifárias, mantendo a ligação direta como uma acusação de Sweeney que é veementemente refutada pela fabricante do iPhone.
Para incentivar a concorrência no mercado nacional, o Cade validou em dezembro de 2025 um acordo de três anos com a Apple, originado após representação do Mercado Livre por abuso de posição dominante. A medida exige que a gigante tecnológica permita links externos, pagamentos de terceiros e lojas alternativas no Brasil, sob pena de multa de até R$ 150 milhões.
Apesar da medida, a Epic Games sustenta que a concorrente continua dificultando a livre concorrência ao aplicar taxas de 21% sobre compras por sistemas de terceiros, 15% para transações via links e 5% sobre a receita de lojas rivais, além de impor barreiras burocráticas para a instalação de plataformas alternativas. A Apple negou as acusações, argumentando que o acordo garante comissões menores, opções variadas de pagamento e segurança aos usuários, ressaltando que relatórios exigidos servem apenas para cobrar o uso de suas tecnologias.
No mesmo dia em que realizou as acusações, a Epic Games lançou oficialmente sua loja para iPhones no Brasil, disponibilizando os jogos Fortnite e Rocket League Sideswipe, e adiantou que recorrerá novamente ao Cade para contestar as barreiras e as taxas impostas pela Apple na App Store. Fonte: Bnews


