Gianni Infantino, presidente da Fifa – Foto: CARL DE SOUZA / AFP
Uma grave crise institucional agita os bastidores do futebol mundial. Em reunião de emergência, a Uefa e suas 55 associações-membro manifestaram oposição unânime à proposta da Fifa de criar uma empresa privada para administrar torneios e comercializar ações com investidores externos.
A entidade europeia foi categórica e ameaçou retirar suas seleções de competições organizadas pela federação internacional caso o projeto não seja completamente abandonado e substituído por garantias vinculantes. O posible boicote coloca em risco torneios de peso no calendário global, como a Copa do Mundo Feminina de 2027, que ocorrerá no Brasil.
A medida gerou forte reação após ser apresentada pela Fifa. A proposta prevê a concentração dos direitos de transmissão e patrocínios em uma estrutura empresarial voltada à captação de capital privado.
Em defesa do projeto, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, publicou um vídeo argumentando que a entrada de investidores permitiria saltar os repasses financeiros anuais por associação nacional de cerca de 8 milhões de dólares para 20 milhões de dólares, além de maximizar o potencial comercial das competições masculinas, femininas e de base.
Além da Uefa, a Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também se posicionaram contra a iniciativa. Juntas, as três entidades respondem por 143 das 211 associações filiadas à federação global.
Em nota oficial contundente, a Uefa classificou a condução da Fifa como irresponsável e autoritária, destacando que o patrimônio esportivo global não deve ser mercantilizado:
“A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.” Fonte: A Tarde


