Trump declara que impeachment desperta ‘raiva tremenda’ nos EUA

O presidente Donald Trump considerou, nesta terça-feira, 12, que o processo de impeachment aberto contra ele é “absolutamente ridículo” e afirmou que despertou “uma raiva tremenda” em todo os Estados Unidos, antes de voar para o Texas para sua primeira saída desde a invasão do Capitólio.

“Esta é realmente a continuação da maior caça às bruxas da história. É ridículo, é absolutamente ridículo. Este ‘impeachment’ está causando uma raiva tremenda”, declarou o presidente americano nos jardins da Casa Branca.

“Não quero violência”, acrescentou, em sua primeira declaração à imprensa desde a invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro, que deixou cinco mortos e chocou os Estados Unidos e o mundo.

A oito dias de deixar o poder, o presidente republicano adotou um tom combativo, afirmando que seu discurso aos apoiadores antes do ataque à sede do Congresso foi “totalmente adequado”, e denunciando o “erro catastrófico” das redes sociais, como Twitter e Facebook, de suspender suas contas nas plataformas, acusando-o de incitar a violência.

Em plena tempestade política, o presidente se reuniu na segunda-feira com seu vice, Mike Pence, que – aparentemente – decidiu formar uma frente comum com o presidente contra os democratas, rejeitando os pedidos para afastar Trump do poder invocando a 25ª Emenda da Constituição.

O Congresso prepara também um procedimento de “impeachment” que entraria para a História e provavelmente acabaria com as ambições políticas de Trump, que poderia se tornar o primeiro presidente americano alvo duas vezes de um processo de destituição.

A Câmara dos Representantes considerará a acusação nesta quarta e deve votá-la no mesmo dia.

A Casa Branca informou que Trump viaja a Alamo, no Texas, para “marcar a finalização de mais de 400 milhas (640 km) do muro fronteiriço”, o que considerou uma “promessa cumprida”, e para “ressaltar os esforços de seu governo para reformar um sistema de imigração disfuncional”.

Este muro, no entanto, está muito longe de ser o “grande, magnífico” prometido por Trump na campanha eleitoral de 2016.

Do total finalizado, apenas 20 km foram construídos em áreas em que antes não existia nenhuma barreira física. O restante corresponde a melhorias ou reforços das barreiras existentes.

E o México nunca pagou pelo muro, como Trump prometeu.

Segundo “impeachment”

Com o apoio de uma grande quantidade de democratas, e com o possível apoio dos republicanos, a acusação contra Trump deve ser facilmente aprovada nesta quarta, 13.

O presidente americano já enfrentou um “impeachment”, quando a Câmara dos Representantes o acusou em dezembro de 2019 de pressionar o presidente ucraniano para que investigasse Joe Biden por suposta corrupção. Trump foi absolvido pelo Senado, de maioria republicana.

Após uma eventual nova acusação da Câmara Baixa, resta a dúvida sobre o rumo e resultado do julgamento que depois passará para o Senado, ainda majoritariamente republicano.

Os democratas tomarão o controle da Câmara Alta em 20 de janeiro, mas precisarão do apoio de muitos republicanos para alcançar a maioria de dois terços necessária para condenar o presidente.

Um impeachment de Trump também correria o risco de dificultar a ação legislativa dos democratas no início da Presidência de Biden, ao monopolizar as sessões do Senado.

Ao mesmo tempo, os democratas querem aprovar uma resolução nesta terça-feira à noite pedindo ao vice-presidente Pence que destitua o presidente do cargo.

Enquanto não o tirarem do poder, a “cumplicidade” dos republicanos com Trump “colocará os Estados Unidos em risco”, alertou na segunda a presidente democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.

Biden tomará posse sob um grande dispositivo de segurança em 20 de janeiro, nas escadas do Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos.

Criticado por sua demora para enviar a Guarda Nacional na quarta-feira passada, o Pentágono autorizou o envio de 15.000 soldados para a cerimônia de posse.

“Não tenho medo”, garantiu Biden na segunda sobre os riscos de novas manifestações pró-Trump.

O presidente eleito pediu o julgamento de todos os envolvidos nos atos de “insurreição” de quarta passada.

Biden tem grandes desafios pela frente: a pandemia de covid-19 descontrolada, um caótico programa de vacinação, uma economia instável e, agora, as sequelas da violenta oposição política de boa parte da enorme base de eleitores de Trump.

Pompeo cancela viagem

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, cancelou nesta terça sua última viagem internacional programada para esta semana enquanto o presidente Donald Trump enfrenta a ameaça de um segundo processo de impeachment, a oito dias de deixar o cargo.

O Departamento de Estado informou que Pompeo, um dos membros do gabinete mais leais a Trump, não viajará mais para a Bélgica na quarta-feira para comparecer a um “processo de transição tranquilo e ordenado” com o gabinete do sucessor democrata, Joe Biden.

“Cancelaremos todas as viagens previstas para esta semana, incluindo a viagem do secretário à Europa”, informou em um comunicado.

Pompeo tinha previsto viajar para Bruxelas na quarta-feira e se reunir na quinta com sua homóloga belga, Sophie Wilmes, e com o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, para “ressaltar a importância duradoura da parceria transatlântica”, muitas vezes abalada por Trump nos últimos quatro anos.

A viagem havia sido anunciada na segunda. Mas a saída do país coincidiria com a provável votação nesta quarta, na Câmara dos Representantes controlada pelos democratas, de uma segunda acusação contra Trump por “incitar a violência” que resultou no incidente do Capitólio na semana passada.

O cancelamento da viagem acontece quando, por outro lado, os democratas pressionam o vice-presidente, Mike Pence, para que invoque a 25ª emenda da Constituição e retire Trump do poder, por considerar que este não está apto para governar depois de encorajar o tumulto na sede do Congresso por seus apoiadores para tentar impedir o reconhecimento oficial da vitória eleitoral de Biden.

Pompeo, que depois das eleições de 3 de novembro sugeriu que Trump permaneceria na Casa Branca para um segundo mandato, condenou a violência, mas nunca se distanciou do presidente, indo no sentido contrário do de muitos republicanos. A Tarde

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