Justiça da China anuncia pena de morte, com sentença suspensa, por corrupção

Congresso do Partido Comunista Chinês em 2012 (Foto: Wikimedia Commons)

Congresso do Partido Comunista Chinês em 2012 (Foto: Wikimedia Commons)

Ex-membro do Partido Comunista Chinês teria recebido quase R$ 400 milhões em suborno e cumprirá pena de prisão perpétua.

A Justiça da China anunciou, nesta segunda-feira (17), a pena de morte, com sentença suspensa, para Wang Fuyu, que ocupava o cargo de vice-chefe do Partido Comunista Chinês (PCC) na província de Guizhou. Acusado de corrupção, ele teria recebido suborno avaliado em 450 milhões de yuans (R$ 390 milhões), de acordo com o jornal South China Morning Post.

Como a pena de morte foi suspensa, após dois anos ela será automaticamente convertida em uma sentença de prisão perpétua, o que significa que Wang ficará encarcerado pelo resto da vida. O ex-oficial do PCC também foi multado em um milhão de yuan (R$ 870 mil) e teve todas as suas propriedades confiscadas pelo Estado. O réu aceitou a sentença e disse que não recorreria, de acordo com o tribunal de Tianjin que o julgou.

Confissão televisionada

No domingo (16) à noite, Wang protagonizou um episódio de um programa da televisão estatal chinesa sobre a luta do governo contra a corrupção no país. No vídeo, ele aparece admitindo a culpa pelos crimes cometidos e diz estar arrependido. Aposentado desde 2019, ele foi detido em fevereiro de 2021 pelo órgão fiscalizador do partido, a Comissão Central de Inspeção Disciplinar (CCDI, da sigla em inglês).

O programa afirma que, em 2014, Wang ajudou a garantir um contrato para que um empresário, identificado apenas como Shen, construísse um resort de 2,2 bilhões de yuans (R$ 1,9 bilhões) na ilha de Hainan. O intermediário foi Gao Shuhong, ex-vice-diretor do grupo Kweichow Moutai, que produz uma bebida alcóolica destilada, a Maotai, bastante popular na China.

Posteriormente, Wang ainda conseguiu que o irmão dele, Wang Fu, se tornasse sócio da empresa de Shen. Também teria usado sua influência como membro do PCC para garantir um lucrativo acordo de distribuição de Maotai para seu filho Wang Bin, enquanto estocava grandes quantidades da bebida posteriormente vendidas com “enorme lucro”.

“Não sei por que queria aquele dinheiro, já tenho o suficiente. Para que eu queria o dinheiro? Para me enterrar? Agora sei que minha ganância insana estava no auge”, disse Wang no programa de televisão.

Gao, por sua vez, foi condenado a dez anos de prisão por suborno, sentença anunciada em março de 2020, e disse ter sido coagido pelo ex-membro do PCC a participar do esquema. Já Wang Fu também foi detido e colocado sob investigação, enquanto a identidade e o destino de Shen seguem um mistério. A Referência

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