‘Demissões são inevitáveis’, afirma presidente de associação dos shoppings

Expectativa da Abrasce é de que centros de compras, em Salvador, retornem no início de maio.

Faz pouco mais de um mês do fechamento total dos shoppings na Bahia e em quase todo o Brasil. O cenário inspira, dia a dia, variadas preocupações àqueles que conhecem de perto a história dos centros comerciais e assistem, em meio à pandemia do novo coronavírus, um capítulo sem precedentes. “Nunca se podia imaginar algo assim”, lamenta o coordenador regional da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Edson Piaggio.

A cadeia de danos, como resume Edson ao lembrar os 30 dias de inatividade dos shoppings, vai chegar nos lojistas e, como um efeito dominó, nos funcionários. “É assim que funciona. A gente lamenta muito, mas demissões são inevitáveis”, adiante ele, que ainda não consegue estimar o que isso vai significar na Bahia. A expectativa da associação é de que, em Salvador, se tenha a dimensão no início de maio, quando aguardam decisão favorável do prefeito ACM Neto.

“Quando fechou, pensamos que seria por uma, duas semanas. Mas todo esse tempo passou, esperamos que seja em 4 de maio. O que se propõe é que o impacto seja o menor possível quanto aos empregos, mas é difícil. O empregado é muito importante para o lojista, demissões prejudicam todo o sistema”, salienta, ao informar que 47 centers já funcionam em 21 municípios de dez estados brasileiros.

A Abrasce, que até se manifestou favorável ao fechamento dos shoppings logo que foram validados dezenas de decretos estaduais e municipais, teme pela extensão das decisões. Ao bahia.ba, Piaggio garante que, em caso de reabertura, todos os protocolos de segurança que dificultam a transmissão da Covid-19 serão seguidos à risca.

Retorno
“Temos uma série de orientações a todos os shoppings. Antes mesmo do fechamento, os funcionários já estavam trabalhando de máscaras. E, agora, em caso de retorno, algumas medidas devem ser adotadas”. Para ele, algumas possibilidades podem dificultar a circulação do vírus nesses ambientes. A redução do espaço útil, por exemplo.

Assim, uma praça de alimentação suportaria metade do público costumeiro. A redução de mesas também é citada por Edson, assim como o número de pessoas em uma mesma loja, simultaneamente. “Todos com disponibilidade de álcool em gel. Estamos aguardando a decisão. Que haja, ao menos, uma flexibilização. Tudo é muito novo, nós nem sabemos se lojistas vão fechar, se não vão. Mas naqueles [centers] que abriram, 90% das lojas retornaram. É um número significativo”.

A falta de consumidor é a ausência de lucro de forma muito direta, evidencia o porta-voz da Abrasce, ao criticar a distância que há entre a linha de crédito do governo e os lojistas. “Esse dinheiro não chega na ponta. Alguns shoppings estão negociando diretamente com o funcionário a questão da redução de jornada e salários, para que o dano seja minimamente reduzido”.

Nos shoppings já abertos, a Abrasce identificou um número de consumidores “bem abaixo” do normal – o que significa que as pessoas estão atendendo às orientações de isolamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a contenção da doença. O detalhe traz à associação a ideia clara de que, no cenário mais otimista, os shoppings – bem como outros tantos segmentos de comércio e serviços – têm pela frente um caminho nunca antes trilhado. bahia.ba

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