Caso Gamboa: cinco pessoas são ouvidas e outras três não prestam depoimento por medo

Moradores citam casos de intimidação por parte de policiais militares após a repercussão do caso.

Cinco pessoas, entre familiares das vítimas e testemunhas oculares da ocorrência, deram seus depoimentos sobre a operação policial que terminou com três mortos no bairro da Gamboa, em Salvador. As oitivas terminaram na quarta-feira (16). Segundo a Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/BA), ao menos três pessoas não quiseram prestar depoimento, por medo de represálias.

Uma das depoentes foi Silvana Santos, mãe de Alexandre Santos, 20 anos, um dos mortos na operação. Ela relata que chegou a ver Alexandre vivo antes dos policiais envolvidos a expulsarem da cena do crime. Em seguida, houve disparos de tiros e depois os corpos dos jovens foram removidos para outro local.

As testemunhas foram escutadas na sede da Secretaria Estadual de Segurança Pública, por determinação do secretário Ricardo Mandarino, que designou também um delegado para estar a cargo exclusivo do processo.

Todos os depoimentos foram acompanhados pela DPE/BA, fato que, para Silvana, a deu mais segurança para denunciar a ação policial. “Minha filha de 18 anos não consegue sair de casa com medo e está recebendo acompanhamento psicológico. A gente se sente com medo, porque eles são polícia e nós não somos nada para eles” disse Silvana, que manifestou pouca expectativa quanto à responsabilização penal dos policiais.

Com relação a este medo citado por moradores e pelas testemunhas que preferiram não dar seus depoimentos, houve ao menos dois episódios de ameaças evidentes, segundo Wagner Moreira, representante da ONG IDEAS – Assessoria Popular. Ele tem articulado iniciativas junto à comunidade da Gamboa para promover agendas que garantam a elucidação do caso e a punição dos responsáveis.

“O primeiro incidente foi no próprio dia do ocorrido quando os policiais voltaram com o departamento técnico para perícia no local e intimidaram os moradores que presenciaram o ocorrido com gestos simulados de degola. O segundo veio dias depois com um carro à paisana que disparou tiros para cima e falas que provocaram a comunidade como ‘quero ver agora se vocês vão chamar a mídia’, entre outros”, explicou.

Segundo Ana Caminha, presidente da Associação de Moradores da Gamboa, o clima na área segue de grande consternação. “A comunidade passou por um período de luto que fez com que mesmo bares não estivessem em atividade. Há ainda muito pesar e um grande sentimento de injustiça com tudo que ocorreu. Além disso, há muita tensão também. Foi uma intervenção muito incomum aqui”, disse. Metro 1

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