Ativistas querem acionar Justiça contra loja que vendeu artesanato de negros escravizados

Unegro vai procurar a administração do Aeroporto Internacional de Salvador e protocolar ofício na Sepromi.

A União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) vai entrar na Justiça contra a loja Hangar das Artes, localizada no aeroporto de Salvador, pela venda de produtos em cerâmica de negros em condição de escravizados. De acordo com o presidente da entidade na Bahia, Eldon Neves, a questão é inadmissível em pleno século XXI. 

“Um espaço que cultua o artesanato como é a Bahia, como é Salvador, a gente tem uma loja que provavelmente é uma loja racista, de donos racistas, que exalta o processo de escravidão no Brasil. E que nós, do Movimento Negro combatemos, porque a gente sabe que esse processo de escravidão no Brasil foi um caso muito doloroso e devastador. A gente não vê produtos de judeus e outros povos sendo comercializados dessa forma porque a gente sabe que isso é algo de domínio público e é algo que precisa acabar”, afirma Neves. 

De acordo com ele, o movimento vai procurar a administração do Aeroporto Internacional de Salvador, e também protocolar ofício na Secretaria De Promoção Da Igualdade (Sepromi) para que os artesanatos parem de ser comercializados. 

“Por mais que seja livre a expressão, isso está diretamente ligado a um processo histórico de extermínio dos nossos povos, que é o povo negro”, diz. A Unegro também fará denúncia junto ao Ministério Público Estadual (MP-BA), e pretende ir até a loja no Aeroporto. 

“Isso é ato de gente racista bem aqui na Bahia. Isso não retrata a história do Brasil, isso retrata o processo que nossos antepassados que cruzaram o Atlântico forçados viveram no Brasil — um período de miséria e de violência”, diz em resposta à advogada da Hangar das Artes, que defendeu o produto e contou não entender o porquê de tanto reboliço: “É uma coisa que retrata a história do Brasil”.

Eldon afirmou que organizará o coletivo do Movimento Negro para poder visitar a loja Hangar das Artes, e disse ainda não entender como, diante de tantos elementos que exaltam a cultura negra em Salvador, a exemplo dos blocos afros, um artista pensar nesse tipo de escultura para lembrar a capital baiana. Metro 1

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