Adolescentes estão impedidas de estudar no Afeganistão sob o domínio do Taleban

Grupo extremista evita anunciar uma decisão sobre o ensino para meninas acima de 12 anos, que seguem impedidas de ir à escola.

Enquanto meninos e meninas de até 12 anos de idade já voltaram às aulas no Afeganistão após a tomada de poder pelo Taleban, as adolescentes do país continuam em casa. Alunas do ensino médio estão impedidas de estudar até que o grupo extremista estabeleça o que considera um “ambiente seguro de aprendizagem para elas”, segundo a agência catari Al Jazeera.

A expectativa pela volta das adolescentes às aulas persiste desde que o Taleban chegou ao poder. À época, o vice-ministro da Informação e Cultura Zabihullah Mujahid disse que o grupo estava trabalhando em um “procedimento” para permitir que as aulas fossem retomadas no ensino médio.

Diante da demora, o temor é de que se repita a repressão de quando o Taleban governou o pais anteriormente, entre 1996 e 2001, com as adolescentes proibidas de estudar.

Segundo Jamila Afghani, uma ativista em prol da educação, a melhor estratégia no momento é tentar negociar com o grupo extremista. “Eu não os trouxe (o Taleban), você não os trouxe, mas eles estão aqui (no poder) agora, então temos que continuar pressionando”, disse ela.

O problema é que o grupo tem uma postura evasiva mesmo quando se dispõe a dialogar. “Eles nunca chegam e dizem ‘não’. Eles ficam dizendo ‘estamos trabalhando nisso’, mas não temos ideia do que exatamente eles estão fazendo”, diz Toorpekai Momand, outra ativista pela educação das mulheres.

Momand destaca que a demora não faz sentido, pois as escolas afegãs sempre seguiram rígidos preceitos religiosos. Bastaria mantê-los, e tudo seguiria as regras rígidas talibãs. Os homens são vetados nos estabelecimentos de ensino para meninas, apenas mulheres trabalham e estudam nas escolas femininas. E as vestimentas sempre estiveram de acordo com o Islã.

O tópico restante seria o currículo educacional, o que, segundo Afghani, não é uma questão simples. “Refazer um currículo leva muito tempo e requer uma compreensão muito detalhada dos modelos educacionais”, diz ela.

O ensino é um assunto tão importante para as estudantes quanto para as profissionais da educação, o setor que mais emprega mulheres no país. O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) estima que as mulheres representam um terço do corpo docente no Afeganistão, além de milhares de outras mulheres que trabalham em cargos diversos do setor educacional.

“Para muitas famílias, ensinar é o único trabalho que as mulheres podem ter”, afirma Masuda Sultan, empresária e ativista afegã-americana, referindo-se à prática de décadas de segregação de gênero na educação do país. “Se você não empregar essas professoras, estaremos reprovando as mulheres no Afeganistão”.

Por mais difícil que seja a situação, porém, Afghani diz que as mulheres não fugirão à luta. “Elas (meninas afegãs) iam à a escola em meio às explosões nas cidades, aos combates nas aldeias e distritos. Mesmo quando suas escolas ficavam sob fogo direto, as meninas afegãs não desistiam de sua educação”.

Dados do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) apontam que  4,2 milhões de crianças estão fora da escola, sendo metade meninas, e cerca de 435 mil mulheres e crianças estão vivendo como deslocadas internas no Afeganistão. A Referência

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