Troca de remédios faz 17 bebês desenvolverem ‘síndrome do lobisomem’

Farmacêutica trocou o rótulo de medicamento para tratar queda de cabelo e o remédio foi comercializado como fórmula para tratar problemas estomacais.

Em junho deste ano, os pais de 17 crianças e bebês na Espanha levaram um susto quando notaram um crescimento anormal de cabelos no corpo dos filhos. Os casos foram logo identificados como sendo hipertricose – também chamada de síndrome do lobisomem –, uma condição que leva as pessoas a ficarem com partes do corpo e rosto coberto por uma camada densa de cabelo.

“A testa, as bochechas, os braços, as pernas e as mãos do meu filho estavam cheias de cabelos. Ele tinha uma sobrancelha de adulto. Foi muito assustador, porque não sabíamos o que estava acontecendo”, contou Ángela Selles, mãe do bebê Uriel, de 6 meses, ao El País Espanha.

Apesar de saber o que afetava as crianças, os médicos não compreendiam a origem do problema. Não estava claro para os especialistas se a manifestação tinha origem genética ou metabólica. As dúvidas geraram uma investigação cuidadosa que apontou para uma situação comum a todas as crianças: elas estavam tomando um mesmo medicamento cujo objetivo era tratar refluxo gastroesofágico, doença que provoca o retorno involuntário do conteúdo estomacal para o esôfago, causando azia e queimação.

A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (AEMPS) assumiu as rédeas da investigação e descobriu que em vez de omeprazol na fórmula (substância que ajuda a proteger estômago e esôfago contras os efeitos do refluxo), o medicamento ingerido pelas crianças continha minoxidil, usado para estimular o crescimento de cabelo. A identificação do problema desencadeou a retirada do produto das prateleiras.

Uma vez identificada a causa, os médicos suspenderam o uso da medicação. Especialistas indicam que os cabelos extras das crianças devem cair em alguns meses. No entanto, o problema causado pelas fórmulas trocadas afetaram a vida das crianças: uma delas apresenta danos no fígado enquanto outras sofreram bullying na escola. Veja

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