Território indígena Areões tem pico de queimadas mesmo depois de ação do Ibama e da PF contra fogo

Na quarta (28), órgãos foram a campo buscar responsáveis pelos focos. No sábado (31), três dias depois, o Inpe detectou o maior número de queimadas no ano no local: 46 focos.

Quarenta e seis focos de queimadas foram registrados no sábado (31) em Areões, território indígena em Mato Grosso, pelo Instituto Nacional de Pesquisa Especiais (Inpe). O número representa um pico na série registrada pelo instituto ao longo do ano e foi verificado três dias depois de uma operação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e da Polícia Federal (PF) para identificar os responsáveis pelo fogo que já tinha destruído 219 mil hectares das áreas protegidas na região.

Desde 28 de agosto, quando a operação foi deflagrada e o governo proibiu queimadas no Brasil, foram 89 focos de queimadas registrados. Esses focos foram captados pelo Inpe por meio do satélite de referência Aqua em leituras realizadas entre a quarta e às 13h55 de segunda-feira (2).

Neste ano, os focos de queimadas nos territórios indígenas Areões, Areões I e Areões II começaram em 11 de maio. Antes do pico verificado no sábado, a maior medição apontava 20 focos na segunda-feira (26), dois dias antes da operação do Ibama e da PF.

De acordo com o Ibama, na terra indígena vivem cerca de 1,5 mil índios da etnia Xavante. Ela foi o primeiro alvo da operação batizada de Siriema. Os agentes flagraram movimentação de caminhões e tratores dentro da área. Árvores foram encontradas cortadas na terra indígena.

Fogo desde maio

Areões teve as primeiras queimadas do ano em 11 de maio. Os dois focos — únicos naquele mês — também foram detectados pelo Aqua. A maior quantidade de focos ocorreu em agosto. Foram 179 pontos de calor detectados neste mês, sendo que 145 deles a partir do dia 15 (81% dos casos). Todos os focos em Areões estão no Cerrado.

Procurada pelo G1 na semana passada, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que aguarda a solicitação do Ibama para a instalação de uma base do Prev Fogo dentro do território.

G1 entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente, mas não obteve resposta sobre os desdobramentos das operações na região. Na segunda, sem citar números, o Comando da Operação Verde Brasil diz que focos de queimadas diminuíram.

Alberto Setzer, pesquisador do Programa Queimadas, explica que tanto na Amazônia quanto no Cerrado o fogo é utilizado para a expansão da fronteira agrícola e também para a manutenção de áreas que já foram desmatadas.

G1

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