‘Lula Livre como uma plataforma da esquerda é uma loucura’, diz Antônio Prata

Escritor diz que inocência ou culpa do ex-presidente não é saída para o Brasil neste momento

O escritor e colunista da Folha de São Paulo Antônio Prata avaliou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (1º), que é uma “loucura” que a esquerda no Brasil use a bandeira “Lula Livre” como uma plataforma de solução política. 

“Não acho besteira falar Lula Livre, principalmente depois dos vazamentos de Moro, que está se vendo o quanto esse julgamento foi enviesado. O que eu acho, e falei até em podcast da Folha, é que ‘Lula Livre’ como uma plataforma da esquerda é uma loucura.  A esquerda não pode ter como resposta ao que está havendo tirar Lula da cadeia e levar Lula de volta para a presidência. As pessoas não querem, aparentemente, tanto é que elegeram Bolsonaro”, opina.

Ele também pontua que, mesmo após os vazamentos de mensagens do ex-juiz federal e atual ministro da Justiça Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato, não é possível se o ex-presidente Lula seria ou não culpado.

“Acho que são coisas diferentes. Uma coisa é se ele é culpado ou inocente e se teve julgamento justo, o que não teve; o fato de ter julgamento injusto também não significa que ele seja inocente, porque pode ser culpado. Agora acho que se ele é inocente ou culpado não é saída para o Brasil nesse momento”, afirma. 

O colunista também avalia que a imprensa brasileira tem que tratar como falsas as recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro, em lugar de chamá-las de controversas ou polêmicas. 

“Acho que a imprensa demorou para chamar a mentira de mentira, por medo de parecer que está sendo partidária ou imparcial. Chamar de mentira é nada mais do que fazer jornalismo, chamar as coisas pelos nomes que elas tem”, defende. 

O escritor ainda classifica como desumanas as declarações de Bolsonaro sobre o pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, desaparecido durante a ditadura militar. 

“Você não entender a dor de uma criança de dois anos que perdeu o pai morto sob tortura e seu corpo nunca foi enterrado. A dor de uma mãe que morreu com mais de 100 anos sem jamais ter conseguido enterrar o próprio filho e debochar da morte duas vezes. A primeira vez foi uma entrevista na porta do  Palácio do Planalto. A segunda vez foi cortando o cabelo. É uma coisa de uma pessoa pusilânime, de uma pessoa minúscula, é um ser humano ruim, é uma pessoa pequena e é nosso presidente”, disse. 

Metro 1

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