Bolsonaro sabe que não pode errar no tom na ONU, dizem assessores

O presidente Jair Bolsonaro viajou nesta segunda-feira (23) para Nova York, onde irá fazer o discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), sabendo que não pode errar no tom.

Segundo assessores, ele será incisivo na defesa da soberania brasileira, mas não pode repetir as últimas polêmicas na área ambiental porque, caso isso ocorra, investidores estrangeiros poderão desistir de aplicar no Brasil. Não só isso: pode haver retaliação contra exportações brasileiras.

Segundo o próprio presidente, ele fará um discurso conciliador, mas mostrando o que considera a realidade da política ambiental brasileira. E irá bater na tecla da defesa da soberania nacional em cuidar da Amazônia, aceitando recursos externos pra combater desmatamento e queimadas na região, desde que sejam geridos pelo governo brasileiro.

A equipe presidencial diz que Bolsonaro, que será alvo de protestos em sua passagem por Nova York, procurou se preparar com cuidado para seu discurso na abertura do encontro da ONU, quando fará sua estreia no evento. Ele já antecipou que não pretende “fulanizar” sua fala.

Em outras palavras, não vai citar nomes em seu discurso, depois de ter protagonizado bate-boca com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

“Será um discurso forte, ao estilo do presidente, mas jogando para frente, propositivo, sem ataques diretos, mas mostrando que o Brasil não aceita ficar na defensiva”, citou um interlocutor de Bolsonaro ao blog. Lembrando, porém, que o presidente sabe que “não pode errar no tom” porque o prejuízo para a imagem externa brasileira seria enorme.

O alerta do assessor é feito depois que 230 fundos de investimento, que juntos administraram R$ 65 trilhões, pediram, em comunicado conjunto, para que o Brasil adote medidas eficazes para proteger a floresta amazônica contra o desmatamento e queimadas.

A nota foi vista como um aviso da parte destes investidores sobre a possibilidade de eles retirarem o país de suas carteiras de investimentos caso o Brasil adote uma política ambiental que contribua para o aumento do desmatamento da Amazônia.

G1

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